quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Um chefe, ou a virtude da paciência diariamente testada

Meu chefe diz e repete que sem corrupção não é possível governar no Brasil. Em outras palavras a corrupção deveria ser descriminalizada em razão da governabilidade. Isso partindo de um funcionário público cuja função é analisar as contas dos gestores públicos é vergonhoso. Ainda bem que não diz (ainda) que o assassinato é necessário para se alcançar o paraíso terrestre, para imanentizar o eschaton, na linguagem voegeliniana, mas estaria perto de dizê-lo, se as condições o permitissem (nem diria o forçassem, pois não creio que precisaria de pressão para assumir uma tal abominação, bastando um bom sofisma da mídia vermelha). Assim pensa esse herói do coletivismo: "Como entravam o progresso do mundo os preconceitos burgueses! Como é terrível que o Estado seja sempre forçado a aumentar os impostos, algo que ele não quer, apenas porque uns poucos privilegiados não se conscientizam para a justiça social e sonegam furiosamente, ocasionando perdas que o Estado tem de compensar... Pobre Estado este, que todos tomam por vilão quando é a maior vítima de inescrupulosos capitalistas, os verdadeiros detentores do poder!" E se o Estado exigir o sacrifício humano de seus filhos em guerras sem nenhum sentido, como seria a racionalização desse pequeno - em muitos sentidos - homem? Como conciliar seu Catolicismo com a separação entre Igreja e Estado, essa idéia herética por ele defendida, esse maritainismo nojento de humanismo cristão luteranizado, cuspidor na cara de Nosso Senhor Cristo Rei?

Dane-se. Só mesmo um oceano de misericórdia para salvar um filisteu desses.

Não me surpreenderia se um dia ouvisse que ele trocou sua fé pelo emprego de um filho, ou outro motivo "nobre". Quem já fez com o mais, o destino de sua nação, pode perfeitamente fazer com o menos, que é seu destino pessoal.

Mas por que perder tempo com uma pessoa assim, fadada a condenar-se, a não ser que lhe caia às mãos uma tremenda graça de Deus? Porque através dela se entende o modo como o Criador nos testa diariamente. Se nossa paciência é um ponto fraco, Ele deseja que a fortifiquemos com provações quase diárias. Mas ainda não sou dócil ao tratamento; recalcitro; meu ser inteiro se revolta com o pensamento da passividade, da mera sublimação. Essa farsa, a meu ver, já deixou de ensinar, e apenas aborrece. Nem sempre Ele permite a vitória de seus filhos contra seus inimigos e sempre se explica isso como punição pela infidelidade; mas quando são fiéis a toda prova, como fica a explicação fácil teológica?