terça-feira, 11 de junho de 2013

Sobre o desaparecimento de blogues católicos

Um dos piores traços do brasileiro em geral é o da inconstância; seguem os ditames do coração, sentimentais a não mais poder, rejeitando a razão e a ordem das coisas como opressoras, e a disciplina como estupidez. Pois desta forma querem ser católicos? Aquele surto de blogues católicos que apareceram na esteira da eleição de Ratzinger em 2005 foi mais uma superficialidade nacional. Pouco a pouco eles foram se extinguindo, um após o outro, com os desencantos e tragédias pessoais de cada blogueiro; e os que não acabaram de vez entraram em hibernação ou se descaracterizaram. Isso não me deixa triste, pois é natural que passe (e logo, de preferência) o que deve passar, o que não tem fundação sólida, terreno árido e estéril onde nada pode medrar. Outra coisa que esses blogues muitas vezes permitiam era a troca de ofensas na sessão de comentários, ou seja, eram ocasião próxima de pecado para muitos, quando não incentivavam diretamente os insultos e as confusões com julgamentos temerários de todo tipo; portanto, nada a lamentar. Ou melhor, há algo a lamentar sim, e é não terem desaparecido mais cedo. Não podemos criar uma verdadeira cultura tradicional – como a que existe na França e na Espanha, por exemplo – dependendo de surtos. Para que ela florescesse e se expandisse, criando massa crítica demográfica, seria preciso ainda uma hecatombe política que nunca tivemos, que ensejasse uma violenta reação baseada em prévia fundamentação teórica. E esta por sua vez deve se difundir aparecendo na literatura, nas artes em geral. Os artistas deste país, contudo, são todos comprometidos com a Revolução, de um modo ou de outro. Como esperar que operem como catalisadores se não se convencerem da justiça e da beleza da tradição? E de que tradição falar, que não seja de pronto ridicularizada pelos patrulhadores revolucionários? Se esta percepção dos valores tradicionais não mudar, não haverá futuro. Ficarão chafurdando em seus pecados e barbárie geração após geração até que um invasor aporte e imprima sua disciplina e rigor à cultura anquilosada dos vencidos. Não haverá resplendor, não haverá honra, nem orientação rumo à estrutura da realidade, mas só frustrações, escravidão, injustiça, feiúra e morte.