sábado, 29 de junho de 2013

A outra memória

As mortes vivas, a decomposição vivida, o sentimento de destruição sobre ruínas acelera meu sangue, concentra meu espírito sobre uma palavra.
Então a palavra não desabrocha e permanece recolhida em silêncio. Pouco há que fazer.
Esta memória que sou eu se apagará e será substituída pela memória de Deus e dos anjos. É uma segunda memória de que só temos notícia do outro lado.
Assim como a memória é corporal e se acaba com o corpo, a memória suprida também deveria estar relacionada com algum tipo de corpo, alguma espécie de matéria. Mas talvez seja como a visão antes do olho; memória antes da matéria. O espírito se impressiona e se imprime com seus passados mais significativos. Se há uma substituição da memória e dos cinco sentidos, até quando se pode falar que ainda seremos nós mesmos após a morte e não o que Deus imaginar que devemos ser?