sábado, 21 de março de 2015

O sistema tributário brasileiro explicado com cerveja

“Suponha que, todo dia, dez homens saíam para tomar cerveja e que a conta para os dez ficava em R$ 100. Se eles pagassem sua conta da forma como nós pagamos  nossos impostos, ficaria mais ou menos assim:
Os primeiros quatro homens (os mais pobres) não pagariam nada.
O quinto pagaria R$ 1.
O sexto pagaria R$ 3.
O sétimo pagaria R$ 7.
O oitavo pagaria R$ 12.
O nono pagaria R$ 18.
O décimo (o mais rico) pagaria R$ 59.
Assim, foi o que eles decidiram fazer.
Os dez homens bebiam no bar todos os dias e pareciam muito felizes com o  arranjo, até que um dia, o proprietário lhes fez uma oferta:
"Uma vez que vocês são todos tão bons clientes", ele disse, "eu vou reduzir o custo da cerveja diária de vocês em R$ 20. As bebidas para os dez, agora custarão somente R$ 80."
O grupo ainda queria pagar sua conta da forma como nós pagamos os impostos,  de modo que os quatro primeiros homens não seriam afetados e continuariam a beber de graça.
Mas e os outros seis homens - os clientes pagantes?
Eles dividiriam os R$ 20 de desconto, de modo que todos eles obtivessem sua "quota justa”.
Eles calcularam que R$ 20 divididos por seis daria R$ 3,33.
Mas se eles subtraíssem isto da quota de cada um, então o quinto e o sexto homens teriam que receber para beber sua cerveja.
Assim, o proprietário do bar sugeriu que seria justo reduzir a conta de cada homem proporcionalmente ao valor pago por cada um, e calculou as quantias que cada um deveria pagar.
E assim:
O quinto homem, como os primeiros quatro, agora não pagaria nada (100% de economia).
O sexto agora pagaria R$ 2 ao invés de R$ 3 (33% de economia).
O sétimo agora pagaria R$ 5 ao invés de R$ 7 (28% de economia).
O oitavo agora pagaria R$ 9 ao invés de R$ 12 (25% de economia).
O nono agora pagaria R$ 14 ao invés de R$ 18 (22% de economia).
O décimo agora pagaria R$ 49 ao invés de R$ 59 (16% de economia).
Cada um dos seis que pagavam ficou numa situação melhor do que antes. E os quatro primeiros continuavam a beber de graça. Mas, quando saíram do restaurante, os homens começaram a comparar as suas economias.
"Eu só ganhei um real dos R$ 20", declarou o sexto homem. Ele apontou para o décimo homem, "mas ele ganhou R$ 10!".
"Sim, está certo", exclamou o quinto homem. "Eu também economizei somente um real. É injusto ele ganhar dez vezes mais do que eu!".
"É verdade!!" gritou o sétimo homem. "Porque ele deve receber de volta R$ 10 e eu só recebi dois? Os ricos levam todas as vantagens!".
"Espere aí ", gritaram juntos os quatro primeiros homens. "Nós não ganhamos nada. O sistema explora os pobres!"
Os nove homens rodearam o décimo e deram-lhe uma surra!
Na noite seguinte, o décimo homem não apareceu para beber, de modo que os nove sentaram e tomaram suas cervejas sem ele. Mas quando chegou a hora de pagar a conta, eles descobriram algo importante. Eles não tinham, entre eles, dinheiro bastante para pagar nem a metade da conta!
E assim, senhoras e senhores, é como funciona nosso sistema tributário. As pessoas que pagam os maiores impostos são as mais beneficiadas pelas reduções de taxas. Taxem-nos demais, ataquem-nos por serem ricos, e eles simplesmente podem não aparecer mais. Na realidade, eles podem começar a beber no exterior, onde a atmosfera seja mais amigável.
Para aqueles que entendem, não é necessária nenhuma explicação!
Para aqueles que não entendem, nenhuma explicação é suficiente!”

http://www.douranews.com.br

domingo, 8 de março de 2015

Mais uma googleíce

Segundo o Google, a mulher pode ser tudo, menos mãe.
Dane-se o Dia Internacional da Mulher.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

César Vidal - Os Maçons

Terminei hoje de ler o livro do protestante César Vidal, Os Maçons – a sociedade secreta mais influente da história. Trata-se de uma obra de introdução ao assunto, que não desce às profundezas dos detalhes, mas entusiasma o leitor a buscar mais informações em outros livros. Destaco as partes relacionadas a assuntos pouco tratados ainda como o papel dos “filhos da viúva” nos movimentos de independência da América Latina (como forma de enfraquecer a Espanha inimiga de Napoleão) e nas seitas e movimentos ocultistas contemporâneos como os Mórmons, o Adventismo, a Ciência Cristã, as Testemunhas de Jeová, a Teosofia e o satanismo de Aleister Crowley. O papel da maçonaria fica evidenciado em genocídios como o do Terror, a Comuna e o massacre dos armênios, assim como sua insistência de domínio político, na educação e entre os militares, tudo visto em vôo rasante. Um ponto negativo que achei foi a negação pelo autor da influência histórica exercida pelos judeus nas lojas, considerada como teoria da conspiração sem sentido, apesar de tudo que já foi publicado e comprovado documentalmente por autores sérios e de renome ao longo dos séculos; mas tal não é de se admirar considerando a simpatia do autor com esse povo oriental, talvez pela afinidade espiritual histórica entre judeus e protestantes (Lutero à parte), tendo inclusive Vidal recebido reconhecimento de organizações judaicas como a Fundação Hebraica e Yad-Vashem. Além disso, como protestante que é, trata a Igreja apenas como mais uma “confissão cristã” e considera as várias seitas como pertencentes ao cristianismo. A seu favor, cita as condenações da Igreja à maçonaria em bases espirituais como pertinentes e justificadas.
À parte essas pequenas máculas o livro deve ser lido, mas, repita-se, apenas como introdução a pesquisas posteriores, não como obra de referência.

domingo, 23 de novembro de 2014

O que aumenta em conhecimento, aumenta em dor

“Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.
Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?
Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.
Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.
O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.
Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.
Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.
O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.
Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.
Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois.
Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém.
E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar.
Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito.
Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode calcular.
Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento.
E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito.
Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.”
(Eclesiastes 1:2-18)

sábado, 27 de setembro de 2014

O homem sem qualidades

Estou lendo O Homem sem Qualidades (Der Mann ohne Eigenschaften) de Robert Musil, um romance inacabado, mas enorme já no estado em que o autor o deixou (mais de mil páginas), e tem sido uma leitura muito interessante, pois através de seus personagens ele descreve em detalhe a vida quotidiana e os valores e pensamentos de moda no Império Austro-Húngaro da Belle Époque, em processo avançado de descristianização. Em certas passagens iniciais vê-se a identificação da modernidade com a máquina, a eletricidade, o boxe, as corridas de cavalo, o futebol e os cabarés; é uma agitação em oposição ao tempo de vida mais lento e arrastado do passado; o moderno é inquieto “como se formigas corressem em suas veias”; e a moralidade começa a ser outra, mas ainda mantém traços da antiga, e vê-se melhor isso no comportamento das mulheres que, após traírem os maridos, sentem remorso e humilhação e procuram se desculpar disso apelando a impulsos incontroláveis ou insistindo no "respeito a coisas respeitáveis" como a família imperial e as demonstrações de caridade, como uma espécie de compensação pelo pecado cometido, o que as tornava, segundo o autor, maçantes. Nas nações cristãs que apostataram, as mulheres são as primeiras a se converter e as últimas a apostatar. E faz-se presente também todo o fervilhar cultural de talentos que não possuíam genialidade mas se espalhavam em várias atividades artísticas, mantendo a chama da arte acesa e passando-a entre gerações, coisa que por si só espantaria quem vivesse em meio a um deserto cultural de homens vazios e ideias incoerentes e já mil vezes refutadas. Foi a quebra dessa tradição após a guerra que destruiu esses países e aniquilou espiritualmente a Europa, deixando-a à mercê de influências estranhas e nefastas produzidas por engenheiros sociais inimigos da civilização cristã.
A tradução de Lya Luft é excelente, o texto é fluido e as frases nunca mostram, em sua estrutura, que vieram de outro idioma. Imagino a dificuldade de produzir esse efeito trazendo de uma língua declinativa como o alemão. Uma obra prima também nesse quesito.

sábado, 20 de setembro de 2014

Após a débâcle

Se escaparmos à presente débâcle, leremos as notícias de jornal de nossos tempos com profunda tristeza, talvez mesmo horror, mas não diremos que tudo já passou e não voltaremos ao vômito. A memória nos deterá, contudo, na ausência de graça: a memória insofismável, de clareza solar e lógica implacável. Não voltaremos, porque não deixamos desculpas de inexperiência: teremos testado todas as abominações, provado todos os sabores do erro, permitido todos os crimes medonhos. Estará então presente diante dos olhos da análise a longa cadeia de atos que levou ao fundo de lava da história. Seremos tomados de um indescritível alívio por termos superado o abismo, de uma impressionante paz pela reaproximação da ordem interna de nossa natureza, nosso lugar no mundo. Seremos os maiores realistas que já existiram, e teremos a utopia, sempre assassina, como uma afronta, e por utópico o pior nome com que se poderá chamar uma pessoa.
Será a nossa prova definitiva de que a queda não é um mito bíblico e que o Jardim do Éden pode ser recuperado pelo menos em espírito.
Se escaparmos, bem entendido. O que parece cada vez mais improvável.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

William E. Henley: Invictus

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

Tradução de André C. S. Masini

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Mosul

"Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra? Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos." (Apoc. 6; 9-11)

sábado, 12 de julho de 2014

R.I.P

Pode-se considerar desperdiçada uma vida que não deixou traços na história?
Se o esforço de uma vida inteira se perde no último momento, onde se fará justiça?
Decerto não no tempo. É portanto necessário que a justiça seja feita em outra dimensão. Chamemo-la eternidade, se assim nos apraz.
Os regimes totalitários trazem esta percepção brutal da extrema precariedade de tudo que existe sob o sol, de como tudo passa sem aparente importância, de como nada parece ser único e o poder é a única realidade da existência. Mas os que conseguem, mesmo com sua morte, preservar um testemunho, fazer com que ele seja passado às escondidas, quando cumprirá seu papel em melhores tempos, são os verdadeiros vitoriosos, os que detêm um poder não corroído nem diminuído pelo tempo.
E isso acontece ainda que entes queridos sejam assassinados pelo Estado e que as condições de sobrevivência sejam uma espécie de morte em vida.
É então que eu penso que alguém que não queria que seu testemunho se perdesse nem que a verdade fosse esmagada pela ideologia não poderia, logicamente, ter desejado ou cometido suicídio, e meu coração se aquieta.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Schadenfreude

Schadenfreude ist die schönste Freude, denn sie kommt von Herzen." (ditado popular) Schadenfreude é a alegria mais bela, já que vem de coração.